Perambulou sem rumo. O sol já se punha. Uma tristeza especial se apoderara dele nos últimos tempos. Não tinha nada de especialmente agudo ou azedo, mas emanava dele algo de constante, de eterno; fazia pressentir anos sem refúgio, dessa dor fria, mortal; fazia pressentir toda uma eternidade num espaço de um archin. Essa sensação costumava afligi-lo com mais força ao cair da tarde.
dostoiévski. crime e castigo.
11 janeiro 2012
12 dezembro 2011
espirro
sabe aquela sensação que se expande desde a garganta até o dorso nasal, bloqueando os septos e irritando toda a narina, acompanhada de uma súbita vontade
09 dezembro 2011
done.
agora está acabado. e eu nunca imaginei, nem nos meus melhores sonhos, tudo o que ia me acontecer nesses últimos quatros anos e meio, todas as pessoas incríveis que eu iria conhecer, todas as amizades que eu iria fazer, todas as correntes teóricas, livros, autores, filmes, diretores que eu iria descobrir -- e me apaixonar --, todos os caminhos que eu iria trilhar e me tornar quem eu sou hoje -- ainda incompleto, ressalte-se.
olho para trás e me orgulho das decisões que tomei, das direções que segui, das trilhas que persegui, dos objetivos e sonhos que alcancei. não foram fáceis. quanto sono perdi, quanta angústia tive de combater, quanta força despendi... mas valeu a pena. me formei: no curso que queria, na faculdade que almejei. a fantasia que tanto pungia minha mente se tornou real e, justamente por isso, passa longe do perfeito, mas concretiza minha vontade.
tornei-me jornalista. mais que uma profissão, descobri ser uma vocação. um estilo de vida: pouco saudável, mas regozijante, enfim. agora sigo em busca de um novo ciclo, é a vida, que não para nem pode parar. não sei o que o futuro me reserva, mas não me contenho em ansiedade para descobrir. vamos em frente...
16 novembro 2011
quimera
era tudo tão insólito, que ele se perdia no efêmero. queria tudo, tinha nada. vislumbrava cores, se perdia na escuridão. galgava degraus, acabava sempre no chão.
14 setembro 2011
esta velha angustia
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| O Grito, de Edvard Munch |
Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pasadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.
Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.
Um internado num manicómio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicómio sem manicómio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim...
Trecho do poema Esta velha angústia, de Álvaro de Campos (o grande Fernando Pessoa).
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