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17 julho 2011

perdeu-se

tinha muitas certezas e um pouco de tristeza. queria sair e perder o caminho de volta. fugir sem rumo estrada a fora. apavorava-o essa tal alteridade, desaforada utopia. e esse social, uma visita incômoda, irrequieta, reflexo dos encontros inesperados entre os alters, os egos, os eus de si mesmo. percebera que estava encurralado.

um dia saiu e perdeu-se no universo paralelo daquele mosaico complexo. quanto barulho, quanta sandice. desejou o caminho de volta. uma quimera. apagara os traços da estrada curva, cujos vales abocanhavam o pôr-do-sol sem receio e oferecia uma das vistas mais belas do antigo mundo, que ele tanto relegara. percebera, afinal. havia de se contentar onde estava ou arriscar-se na infinitude metamórfica seguindo adiante. preferiu a obscuridade.

achou-se em uma novo contexto, pior que podia imaginar. não tinha para onde fugir. sentou ali e resolvera pôr um fim no martírio. Acordara.

15 dezembro 2010

Escolhas: ciclo da vida

É engraçado. É um ciclo, um círculo, transladado, rotatório, curvilíneo, disforme. É a vida – que no clichê, dá voltas. Caminhos que hoje se opõem, amanhã se convergem. Destino? Prefiro acreditar no acaso. Cogitar que a estrada já está delineada me entedia. Rascunho pronto? Por favor, folhas em branco. Desafio, superação, mudanças.

A rotação, em 2010, favoreceu-me muitos solstícios. Caminhos cumpriram seus ciclos, ajustaram seus eixos, enquanto outros se desalinharam, mudaram estações. É a vulnerabilidade da vida, do ser, do existir, definida por escolhas. Estas – verdadeiros campos minados – são paradigmáticas, cruéis, austeras. Da boa vontade, independem. Às escolhas, não resta escolha. Escolha a sua. Como filosofa Sartre:“És livre, escolhe, ou seja: inventa”.

20 abril 2010

A Cinquentinha

A jovem senhora completa 50 anos. Em alguns pontos, dizem que a idade só lhe fez bem. Em outros, bem, em outros... Mas a cinquentinha ainda está inteira. Plásticas foram (e são) necessárias, diga-se de passagem, mas ela continua formosa. Suas curvas, muitas curvas, dão forma ao seu eixo monumental. Parece até que foi planejada, cada detalhe desenhado com esmero. “Que arquitetura, que design arrochado”, dizem seus muitos amantes.

O olhar está a contemplar o formoso, risonho e límpido céu que debruça-se sobre suas asas. De seu seio quadrangular, a quinquagenária não se cansa de admirar o vasto horizonte. Nessa data que a deixa sempre tão emotiva, lágrimas escorrem pelo rosto. São muitas, muitas lágrimas, descem contornando sua sóbria face. Lembram-lhe o desenho de um singelo e solitário lago em meio a sequidão de um cerrado rouco, meio torto.

Ali, deitada em seu berço esplêndido, a senhora eterniza suas mais tenras lembranças. Folheia seu diário secreto guardado a sete chaves, relê os desabafos passados, as angústias reprimidas, as alegrias repentinas. De muitos humores, alterna suas expressões, dilacera os paradigmas das quatro estações. Vai da inocência de uma criança ao furor de uma noiva abandonada. Procura o afago dos apaixonados, foge do rancor dos desprezados, se esconde dos boatos, procura a justiça desaparecida.

A cinquentona pensa na vida. Não sabe o que o destino lhe reserva, anseia saber seu futuro. Seu coração ainda bate acelerado, contínuo, intenso, frenético. Sua frequência soa o ritmo dos sonhadores, dos viventes, dos esperançosos, dos benfeitores. Seu coração metafísico, coordenador das emoções, estala, palpita, silencia, dói. A senhora sabe que há algo errado. Seu cérebro está enfermo, a mente sinaliza. Ela sabe, sua intuição assesta. Será um câncer? Um tumor? Uma malignidade sem fim? Quem poderá perscrutar suas entranhas e dispersar essa nuvem negra? “Meus amantes”, ela brada com brilho nos olhos.

A cinquentinha sonha em voar. Voar ao encontro da paz, de mais, muito mais. Sonha com a cura, a mais pura. Ela sabe que tem uma missão, um dever. “Não pode acabar agora, aqui, assim”, reflete. Quer então crescer, ser feliz, ser benquista, ter frutos, e filhos promissores. A jovem senhora quer viver, décadas e décadas e séculos ainda. Mas o destino, ela sabe, não está em suas mãos. Contudo, tem fé que a cada ciclo de 4 anos, algo bom pode acontecer...

28 novembro 2009

Capital de muitos...

Vivacidade. Palavra sugestiva, de muitas conotações, caracteriza a célebre cidade de Brasília. Capital de todos, de muitos, e de ninguém. Cidade adorada, venerada, detestada e muito criticada. Brasília de muitos gostos, de muitos desgostos e de muita história. A Capital consolida a diversidade de sua madre, de seu Brasil, de fato, brasileiro.

No país de muitos povos, muitas raças, muitas cores, muitos amores, uma Capital foi erigida em seu seio. Mítica, ela nasceu de um sonho de um grande homem, recebeu formas de avião, para alguns, e de pássaro, para outros, numa metáfora à vontade de ter asas, de voar, de alçar novos rumos, novos horizontes à promissora nação.

Loucos sonharam, doidos planejaram, malucos realizaram. A loucura deu certo. No cimento que erguia a moderna arquitetura, mãos dos quatro cantos tocaram. Do sul, do Norte, do Nordeste, do Sudeste e, claro, do Centro-Oeste. O sonho, então, tomava forma, a loucura se concretizava. E a mistura estava feita! Mal sabiam que belo cartão postal aquilo que construíam iria virar. E quem imaginaria que vista magnífica o pôr-do-sol traria àquela cidade, que mal acabara de nascer?!

Brasília apresenta diversidade que não se resume a raça e etnia. Ela se apresenta também nos detalhes, no óbvio, no oculto, no âmago da nação. As formosas curvas, a ousada arquitetura, o design inovador, a urbanidade e a desenvolvida civilização compartilham o espaço com o ilustre verde das gramas, as tortuosas e secas árvores, o colorido dos bem cuidados jardins, imersos no vasto e inebriante céu de um azul puro e singelo. Um prato cheio aos amantes da fotografia. Brasília, de diversidade de clima. De sol e chuva, de calor e frio, num único dia. Brasília e seu cerrado, vasta fauna e flora.

Tanta beleza abriga a sede do Poder, o centro político do emergente país, que suja e fere continuamente a imagem da majestosa Capital, com os constantes escândalos políticos. Gera críticas e revoltas por grande parte da população. A Capital que tinha tudo para ser perfeita revela a frágil estrutura, trazendo consigo paradoxos, muitos. Instalada no centro do Distrito Federal, demonstra os contrastes socioeconômicos com cidades bem próximas, numa fiel metáfora do Brasil.

Retrato da Capital… quem poderá defini-lo?! Brasília é como o Brasil, complexo e diverso. De amor e ódio, de luxo e pobreza, de orgulho e vergonha, de vanguarda e de atrasos. Brasília, de multiplicidade, que está prestes a se tornar cinqüentenária. Resta-nos dizer: Viva a Cidade, Viva a Capital. Vivacidade!




Texto e Fotos: Davi de Castro
Crônica produzida para o blog www.caixapretajcd.wordpress.com

06 maio 2009

O acaso da sorte

Crônica

Tudo mudar. De uma hora pra outra, um caso - o acaso - pode mudar uma vida. Um encontro com a sorte, um atalho do destino: a fronteira do paraíso. É difícil não encontrar quem não queira dar uma guinada em sua história. Sair de rumo, romper os muros, mudar de estrada -- dar uma virada. Arquétipos moralistas recheiam os exemplos -- e nossas mentes. São contos que ouvimos desde a infância e sonhamos que um dia eles aconteçam conosco. Estão tão pertos -- em nossos sonhos -- e tão distantes -- em nossas realidades (sim, realidades!). É um dos paradoxos da subjetividade humana. Lidar com os fatos -- a realidade -- e com a abstração -- a imaginação.

Esperamos o dia em que a o acaso, sim, a "sorte", nos dará um sorriso, nem que seja um singelo, mas um sorriso. De Monalisa, que seja. Parece simples; para os mais céticos, improvável. "Um prêmio da loteria", "Um concurso público", "Um casamento milionário", "Um convite para protagonizar um filme", "Um carro no sorteio do supermercado", "Uma promoção no serviço", "O emprego dos sonhos", "Uma vaga naquele programa de tevê", "Uma bolsa de estudos em outro país", "Uma família do tipo comercial de margarina", "Namorar aquela sua paixão da adolescência", "Tornar-se um empresário de sucesso", "A aprovação naquela faculdade"... São sonhos, e sonhos, e mais sonhos que anseiam por algo que os torne real -- é o que muitos denominam "sorte". Vai dizer que você nunca se pegou pensando em algo que poderia transformar o seu presente, e futuro, caso acontecesse?!

Num "plim" tudo se resolve. Problemas sanados, novas perspectivas. É uma pena que histórias onde a "sorte" mudou destinos e hábitos estejam tão distantes. Já viu alguém próximo ter sua vida mudada de repente? É, nem eu! Parece-me que a "sorte" tem outros horários, bem diferentes dos nossos. Ela demora um bocado, aliás, quando chega a tempo -- em nosso tempo. Brasileiros, em média, 72,7 anos -- sim, esse é o nosso tempo (expectativa!). É, "sorte", não demore. As coisas vão de mal a pior por aqui. E nem pense em vir de ônibus, metrô, e muito menos de avião. É que aqui os meios de transportes têm alguns pequenos probleminhas -- bem irrelevantes, por sinal. Estarei te esperando, mas, para mim, tens outro nome: fé e esperança. É o que me impulsionam diariamente.

13 abril 2009

Ser


A cada hora que passa envelhecemos dez semanas. A cada dez semanas deparamo-nos com novas realidades em nossas vidas. Quilinhos a mais aqui, uma espinha acolá. É o solado do tênis que vai se acabando, aquela blusa que você tanto gosta se desbotando, o celular a ponto de falar: "tá na hora de me aposentar!". Sua jornada de trabalho é reduzida, você descobre que passou naquele concurso super concorrido, sua namorada termina com você, um amigo muda de curso na faculdade, a garota por quem você é apaixonado faz um blog, sua mãe pinta o cabelo, seu irmão quebra o pé, seu trabalho ganha destaque na turma, o amor da sua vida vira sua seguidora no twitter, você deixa de lado o orkut, o pneu do seu carro fura, seu pai compra um carro novo, novos amigos começam a fazer parte da sua vida e, assim, a cada dez semanas você olha para trás e vê quanta coisa aconteceu. Coisas simples que quando somadas se tornam consideráveis. Sua bagagem já está crescendo e agora você, adulto, já tem boas histórias para contar na roda de amigos, metáforas de suas experiências para os seus filhos, e daí você percebe que já não é mais o mesmo. Ou não, você se dá conta de que todas as horas em que, quando criança, se imaginou como seria "ser grande" enfim se realizou e não foi nada mágico. Você é o mesmo, sua mente não mudou, apenas pensa outras coisas, se ocupa com coisas que antes não faziam parte do seu mundo. Agora você está mais alto. O mundo não é visto mais de baixo para cima como era antes.

Vamos sair, mas não temos mais dinheiro. Ser adulto não é como se imaginava. É bem melhor e bem pior. Depende de qual assunto se fala. Mas a vida adulta sempre foi, e é, tão cobiçada no imaginário infantil. É a gana inata de todo ser humano, que se inicia no momento mais fértil da mente humana: a infância. Ser o que não é, ter o que não se tem ou não ser o que se é, não se ter o que se tem. Queremos o impossível. Conter a idade, as rugas, as dores da velhice, as doenças, mas ao mesmo tempo queremos a experiência da idade, a sabedoria de anos muito bem vividos, o sucesso e dinheiro de anos de trabalho. Ser adulto é ter perspectivas menos irreais, mais realistas dentro de uma realidade. É ver o mundo de igual para igual. Alguns até acreditam que podem vê-lo de cima para baixo. Quando, na verdade, não são nada em outras verdades.

O que é demais nunca é o bastante. Ser adulto é muitas vezes voltar no tempo, reviver momentos embalado por uma música. É a nostalgia da maturidade. O ser humano sempre quer o abstrato. O passado ou futuro. O céu ou o inferno. Afinal, o presente e a terra não são suficientemente interessantes. O que é e o que está aqui não têm seu valor dado no momento certo.

28 dezembro 2008

2000inove

Sonhos. Projetos. Esperança. Recomeços. Um novo ciclo, um novo ano. Mais um é chegado e, mais uma vez, colocamos toda a nossa expectativa. Já viu como é algo, digamos, "mágico"? Por que todo esse fulgor em prol de algo que acontece todos os dias: a virada de um dia para o outro? Ao mesmo tempo, já viu como é bom? Poder deixar as frustrações, mágoas e desilusões lá atrás e buscar começar de novo? Ter em mente coisas novas, projetos novos.
Em busca de novidade, celebramos o ano novo ansiando justamente o novo. Após 12 meses de luta, comemoramos os outros 12 meses, de muita luta, que estão por vir. E quão desolado seria se não sonhássemos e buscássemos a concretização de sonhos, de coisas novas.
É uma pena que muitos (todos?) se esquecem dos seus projetos para o novo ano logo na segunda semana do primeiro mês. E tudo se torna ordinário novamente. E, assim, esse discurso se repete todos os anos; de novo e de novo. Há 19 anos o escutando, já estou enfadado dessas histórias (da dona carochinha).
O que nos peculiariza de todos os animais, o poder de raciocinar, abstrair, criar o metafísico, é o que também nos aproxima, a ignorância de não usá-lo em sua totalidade. O metafísico foi criado para se tornar físico. Mas temos uma tendência em só sonhar, em só pensar, em só querer, e só. O realizar, o agir, o tornar real, físico fica no abstrato. Pois assim, humano, demasiado humano. Mortais, meros mortais.

06 novembro 2008

Desavesso

Já viu o mundo ao avesso? E o avesso do avesso do mundo? Uma roupa ao avesso já traz desconforto, tanto para quem usa quanto para quem vê. É uma agonia que sucumbe a mente, trazendo um transtorno incômodo. Quanto mais o mundo?
Todavia, vivemos ao avesso e ao avesso do avesso. A qualquer instante tudo pode mudar. Ora a bolsa cai, ora levanta. Ora temos republicanos no poder, ora democratas. Ora o avesso, ora o avesso do avesso, ora o avesso do avesso do avesso... E assim por diante. As forças se anulam, se multiplicam, se dividem. E, de tanto avesso as coisas acabam se ajustando.
O pior de tudo é que não decidimos a avessidão dos fatos. Quanto mais dos sentimentos ou dos acontecimentos diários. Seria bom colocar algumas coisas ao avesso, tirar outras. Colocar 'eu', tirar você.
Tem dias que você chega na sala e as cadeiras estão viradas ao contrário. Você desvira a sua e senta, mas mesmo que não tenha ninguém na sua frente é estranho ver tantas cadeiras "ao avesso", ao oposto do ritmo normal. Há uma sensação de "alguém está me observando". Até o vento parece mudar de sentido. Parece que venta mais. E quando os outros chegam, suas expressões também revelam a confusão de sentidos e estranheza.

E, ao avesso escrevo essa aversão de texto

Para o avesso do avesso do meu desavesso. (?!)

27 setembro 2008

Time goes by

"Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo..."

Eu não sei quanto à sua percepção sobre o tempo, mas a minha se alterou de uns tempos para cá. Estranho, o tempo parece estar tímido ou cansado ou, quem sabe, revoltou-se. Já viu como ele anda rápido, ou melhor, voa? Ao mesmo tempo em que voa, conseguimos fazer várias coisas ao mesmo tempo. Que contradição! Porém, são 'várias coisas ao mesmo tempo' sem propósito algum, muitas vezes insípida. É o paradigma da pós-modernidade, reflexo de nosso sistema político, econômico e social, o capitalismo, que preza pela quantidade à qualidade; que nos torna feito máquinas na produção e consumo de produtos a todo instante em busca de lucro.
Com essa metáfora do tempo, teria ele personalidade competente a ponto de se auto-determinar ou mesmo 'rebelar-se', como supracitado? Ou seria mais uma das indagações subjetivas desse século? Quem nunca teve um dia repleto mas que no final não acrescentou nada à sua intelecção? E é assim, multitarefas do cotidiano que preenchem nossos dias, mas deixam uma sensação de ócio. Outro ponto que contribui a isso, é o "fazer imediato". Fazemos coisas com tanta rapidez devido às exigências, que essa pressão acaba impedindo o processo de aprendizagem e fixação do que foi feito. Exemplo disso é o ter que fazer resumos e pesquisas de livros sem antecedência; acaba-se por não fixar nenhum conteúdo.
Enfim, "só sei que nada sei", mas do pouco que sei é que a contemporaneidade é dotada de paradigmas e são esses que me instigam à filosofia. Respostas, respostas ou apenas o ato reflexivo por si só.

"E nesses dias tão estranhos, fica a poeira se escondendo pelos cantos..."
(Legião Urbana)


Abstraia.

07 junho 2008

A vida sem os sonhos seria um erro

Um dia um dos meus filósofos favoritos afirmou que nada nos pertence mais que nossos sonhos. Apesar de não estar de acordo com todas as suas afirmações, eu o admiro por alguns de seus escritos e, principalmente, por sua audácia e perspicácia. Essa relação paradoxal de crítica/admiração é importante, pois dela é possível abstrair, assimilar e fazer suas próprias construções. Quem disse que a discordância é ruim? Aliás, segundo ele - o filósofo apreciado- os conceitos de bom/mau, bem/mal são atribuídos por nós mesmos, são construídos culturalmente.
A afirmação por ele supracitada nos proporciona uma introspecção. Nossos sonhos são o resultado de desejos internos que pulsam a existência/realização de algo. É a abstração do querer, do ser, que se agrega à nossa mente e coração, e lateja para a sua concretização. Há pessoas que vivem em prol deles, outros os ignoram, e alguns os fantasiam, vivendo-os apenas no imaginário.
Nietzsche, sim ele é o referido, disse que a vida sem a música seria um erro. Concordo em parte, mas acho que o ideal seria: a vida sem os sonhos seria um erro. Não que eu não goste de música, pelo contrário; realmente, o que seria de nós sem ela?! O que quero dizer é que as consequências de uma vida sem sonhos seriam mais desastrosas que as de uma vida sem música. Enfim, a música é fruto de um sonho. São inspirações oriundas de nosso imaginário e que mexem com ele.
"Aquele que tem um porquê consegue suportar qualquer como", disse Friedrich Nietzsche. Então, o porquê nos impulsiona ao como, 'como' alcançar o sonho. Para quem está do lado de fora, pode parecer loucura, mas você sabe a finalidade, o 'porquê' desse 'como', e, com certeza valerá a pena. Quando realizamos um sonho, há uma sensação tão boa como se nos achegássemos a Deus. O sentimento de conquista, de vitória, faz-nos alçar vôos novos, num ciclo de luta/conquista. Nessa batalha em prol de um sonho a arma poderosa para vencer chama-se fé. É através dela que ativamos milagres e superamos barreiras.
E assim prossigo em busca de mais e mais sonhos até realizá-los e assim pensar em novos sonhos até realmente viver o maior de todos os sonhos... a terra prometida.

03 maio 2008

Geração do Ócio

Em parte, acho que nasci na época errada. Lendo tudo o que gerações passadas conquistaram, lutaram em prol de seus objetivos, todos os seus feitos, eu me pergunto: "What do We live for?" Infelizmente, minha geração é fútil, ociosa, é uma geração que tinha, e tem, tudo para ser a revolucionária, a geração para marcar a história, porque tem tudo, ou quase tudo, ao alcance das mãos, é a x-generation. Mas e... o que se tem feito?? Nada! Poderíamos mudar o mundo; mas mudar para quê? Em quê? Não se sabe.
Não se tem uma ideologia de vida, não se tem mais vontade, parece que estamos conformados com o mundo. Tudo é modinha, roupas e estilos "style", novos conceitos, mas todos sem conteúdo. O mundo se contorce em nossa frente e o que fazemos? Vamos escutar nosso ipod e acessar o myspace! O movimento estudantil não tem mais vida, é raro os casos que ainda se unem e vão à luta (Viva a invasão à reitoria!). Também não digo que apenas manifestações, badernas e coisas do tipo é que demonstram garra, força e determinação. Meu questionamento é: Cadê nossa identidade? Qual é a nossa virtude? As pessoas andam frias e cada vez mais egoístas, cada um no seu mundinho. A juventude quer ser ouvida, mas não tem nada a dizer.
O mundo espera algo de nós, pois somos fortes, a própria bíblia diz isso. Nosso tempo é curto e a juventude é um pulo. O que contaremos às próximas gerações sobre nossos feitos? O que diremos a respeito da nossa cultura jovem? Qual será nossa contribuição ao mundo? Qual é a nossa marca? Orkut, msn e flogs o tempo todo? São tantas histórias de outras gerações que me deixam fascinado.
Às vezes tenho saudade de coisas que não vivi, que não presenciei. Há momentos que parecem que eu estava ali naquela história, naquele tempo, naquela juventude. E só a saudade do desconhecido é que fica. Enfim, gostaria de ter feito parte de outros tempos, mas que tempos? Quero marcar o meu próprio. Sou um sonhador, sim. E essa é uma das minhas maiores virtudes, pois, são eles que me impulsionam diariamente. É hora de quebrar paradigmas, mostrar a virtude dessa geração.



"Até bem pouco tempo atrás, poderíamos mudar o mundo. Quem roubou nossa coragem? Tudo é dor, e toda dor vem do desejo de não sentirmos dor...
Já estamos tão acostumados a não termos mais nem isso."