27 setembro 2008

Time goes by

"Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo..."

Eu não sei quanto à sua percepção sobre o tempo, mas a minha se alterou de uns tempos para cá. Estranho, o tempo parece estar tímido ou cansado ou, quem sabe, revoltou-se. Já viu como ele anda rápido, ou melhor, voa? Ao mesmo tempo em que voa, conseguimos fazer várias coisas ao mesmo tempo. Que contradição! Porém, são 'várias coisas ao mesmo tempo' sem propósito algum, muitas vezes insípida. É o paradigma da pós-modernidade, reflexo de nosso sistema político, econômico e social, o capitalismo, que preza pela quantidade à qualidade; que nos torna feito máquinas na produção e consumo de produtos a todo instante em busca de lucro.
Com essa metáfora do tempo, teria ele personalidade competente a ponto de se auto-determinar ou mesmo 'rebelar-se', como supracitado? Ou seria mais uma das indagações subjetivas desse século? Quem nunca teve um dia repleto mas que no final não acrescentou nada à sua intelecção? E é assim, multitarefas do cotidiano que preenchem nossos dias, mas deixam uma sensação de ócio. Outro ponto que contribui a isso, é o "fazer imediato". Fazemos coisas com tanta rapidez devido às exigências, que essa pressão acaba impedindo o processo de aprendizagem e fixação do que foi feito. Exemplo disso é o ter que fazer resumos e pesquisas de livros sem antecedência; acaba-se por não fixar nenhum conteúdo.
Enfim, "só sei que nada sei", mas do pouco que sei é que a contemporaneidade é dotada de paradigmas e são esses que me instigam à filosofia. Respostas, respostas ou apenas o ato reflexivo por si só.

"E nesses dias tão estranhos, fica a poeira se escondendo pelos cantos..."
(Legião Urbana)


Abstraia.