09 dezembro 2011
done.
agora está acabado. e eu nunca imaginei, nem nos meus melhores sonhos, tudo o que ia me acontecer nesses últimos quatros anos e meio, todas as pessoas incríveis que eu iria conhecer, todas as amizades que eu iria fazer, todas as correntes teóricas, livros, autores, filmes, diretores que eu iria descobrir -- e me apaixonar --, todos os caminhos que eu iria trilhar e me tornar quem eu sou hoje -- ainda incompleto, ressalte-se.
olho para trás e me orgulho das decisões que tomei, das direções que segui, das trilhas que persegui, dos objetivos e sonhos que alcancei. não foram fáceis. quanto sono perdi, quanta angústia tive de combater, quanta força despendi... mas valeu a pena. me formei: no curso que queria, na faculdade que almejei. a fantasia que tanto pungia minha mente se tornou real e, justamente por isso, passa longe do perfeito, mas concretiza minha vontade.
tornei-me jornalista. mais que uma profissão, descobri ser uma vocação. um estilo de vida: pouco saudável, mas regozijante, enfim. agora sigo em busca de um novo ciclo, é a vida, que não para nem pode parar. não sei o que o futuro me reserva, mas não me contenho em ansiedade para descobrir. vamos em frente...
16 novembro 2011
quimera
era tudo tão insólito, que ele se perdia no efêmero. queria tudo, tinha nada. vislumbrava cores, se perdia na escuridão. galgava degraus, acabava sempre no chão.
14 setembro 2011
esta velha angustia
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| O Grito, de Edvard Munch |
Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pasadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.
Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.
Um internado num manicómio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicómio sem manicómio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim...
Trecho do poema Esta velha angústia, de Álvaro de Campos (o grande Fernando Pessoa).
13 setembro 2011
do trabalho de conclusão
Não mais satisfeitos com estudos específicos do fenômeno, os teóricos da Escola de Frankfurt vão remeter as mensagens e efeitos da comunicação de massa para um referencial bem mais amplo, a Sociologia da cultura de massa. E desse gérmen aparecem novas correntes [...]. (Medina, Cremilda)
E dessas correntes busco meu gérmen. Meu gérmen para novas correntes. Busco. Meu gérmen. Meu. Correntes. E assim sigo. Sigo nesse desespero, nesse frenesi, nessa ânsia, que me afeta o juízo, que me hostiliza os nervos e cujo nome você já deve suspeitar: sim, é ela, a monografia. O trabalho que põe fim - ou completa um ciclo, melhor dizendo - a quatro anos e meio de um caminho sinuoso, imprevisto, deleitoso.Relógio, celular, computador, ampulheta. Rejeito todo e qualquer tipo de medição do tempo. Cada dia é menos um dia e deveria significar mais uma página. Mas não. Que contradição. Resta-me o que? A tensão. E eles não ajudam. Eles, meus companheiros: Hall, Jenkins, Bauman, Canclini, Wolf, Medina, Recuero, Pena, Escosteguy, Kucinski, Tredan, Strauss etc etc. É só confusão.
Me vejo disperso nesse quebra-cabeça de peças desajustadas, à procura do encaixe certeiro, da metodologia, essa bandida, sempre em fuga. Tento me ajustar no turbilhão, mas de miopia afligiu-se meu raciocínio. Tento. Da comunicação descambo para as sociologias, as identidades, os estudos culturais. E me perco, imerso. Contradição me persegue. E as páginas? Em branco estão.
25 agosto 2011
despertar
Cenários desabarem é coisa que acontece. Acordar, bonde, quatro horas no escritório ou na fábrica, almoço, bonde, quatro horas de trabalho, jantar, sono e segunda terça quarta quinta sexta e sábado no mesmo ritmo, um percurso que transcorre sem problemas a maior parte do tempo. Um belo dia, surge o 'por quê' e tudo começa a entrar numa lassidão tingida de assombro. 'Começa', isto é o importante. A lassidão está ao final dos atos de uma vida maquinal, mas inaugura ao mesmo tempo um movimento da consciência. Ela o desperta e provoca sua continuação. A continuação é um retorno inconsciente aos grilhões, ou é o despertar definitivo. Depois do despertar vem, com o tempo, a consequência: suicídio ou restabelecimento.
Trecho de O Mito de Sísifo, de Albert Camus.
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